Duas mulheres que trabalharam para o cantor Julio Iglesias em 2021, em residências localizadas na República Dominicana e nas Bahamas, acusam o artista de assédio sexual, abuso de poder e maus-tratos psicológicos. Os relatos integram uma investigação conduzida pelo portal espanhol elDiario.es em parceria com a Univision Noticias, tornada pública nesta semana após três anos de trabalho jornalístico.

Autora de 66 romances policiais, Agatha Christie ganha série no streaming As denunciantes — uma trabalhadora doméstica e uma fisioterapeuta particular — descrevem um ambiente marcado por controle excessivo, humilhações constantes e medo de represálias. Segundo elas, o vínculo profissional era atravessado por ameaças frequentes de demissão, jornadas exaustivas e restrições que extrapolavam o ambiente de trabalho, alcançando a vida pessoal.

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— Sentia-me obrigada a fazer coisas sem ter a opção de dizer não — relatou a funcionária doméstica.

Em seu depoimento, ela afirma que o clima dentro da casa era de tensão permanente.

— Aquilo era um pesadelo. Um lugar horrível.

Segundo a ex-funcionária, recusas a determinadas exigências resultavam em insultos e humilhações, frequentemente acompanhados de comparações com modelos e da ideia de que ela deveria se considerar “sortuda” por trabalhar para o cantor.

A fisioterapeuta, por sua vez, descreveu o artista como “extremamente controlador” e disse que o medo era o principal instrumento de poder.
— Ele ameaçava demitir você o tempo todo e reforçava que trabalhar para ele era a melhor coisa que poderia ter acontecido na sua vida — afirmou. De acordo com o relato, regras rígidas eram impostas de forma constante, criando um ambiente de vigilância permanente entre os funcionários.

Controle, medo e impacto psicológico

As duas mulheres afirmam que o controle exercido por Iglesias se estendia a aspectos íntimos da rotina. Uma delas relatou temor de que o cantor acessasse seu telefone celular, levando-a a esconder conversas e imagens por receio de punições. Ambas descrevem um estado contínuo de alerta, que, segundo elas, normalizava o tratamento degradante.

O impacto emocional, segundo os depoimentos, foi profundo. A fisioterapeuta disse ter desenvolvido um quadro de depressão durante o período em que trabalhou para o cantor. Já a empregada doméstica afirmou que, mesmo após deixar o emprego, continuou a se sentir emocionalmente abalada.

— Eles me usaram, me pisotearam — disse.

Além do ambiente de controle e humilhação, as duas mulheres também relatam episódios de abuso sexual. A trabalhadora doméstica afirma que os abusos ocorriam principalmente quando a esposa do cantor, Miranda Rijnsburger, não estava presente. Segundo seu relato, situações de cunho sexual eram impostas de forma recorrente, mesmo diante de manifestações explícitas de desconforto ou recusa.

A fisioterapeuta também descreveu episódios de toques não consentidos e abordagens de teor sexual, além de conversas consideradas invasivas e constrangedoras. Em seu depoimento, ela afirma que, embora em alguns momentos conseguisse impor limites, presenciou situações em que outras funcionárias não conseguiam dizer “não”.

Por O Globo



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